LNDC e LCCV apresentam tecnologias para avaliação da integridade de poços na OT100 2026
Pesquisas desenvolvidas em cooperação com o CENPES integram estudos de corrosão, inspeção e análise de dados para subsidiar avaliações sobre a vida útil remanescente de poços

Créditos da Imagem: Pesquisadores participantes
Os projetos de pesquisa desenvolvidos em cooperação entre o CENPES/Petrobras, o Laboratório de Computação Científica e Visualização (LCCV/UFAL) e o Laboratório de Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem (LNDC/COPPE/UFRJ) desenvolvem soluções voltadas para a avaliação do desgaste, da corrosão e da integridade de tubulares de poços. Lideradas, no CENPES, por Ilson Palmieri e André Abrego, as iniciativas reúnem pesquisadores, professores e estudantes das instituições parceiras e têm como um de seus objetivos fornecer subsídios técnicos para o desenvolvimento da Calculadora de Vida Útil Remanescente de Poços. Parte das tecnologias e dos resultados alcançados foi apresentada nos dias 11 e 12 de agosto, durante a OT100 – Oficina de Tecnologias do Programa EF100 2026, realizada pela Petrobras no atual edifício Sede da companhia (Edisen), no Rio de Janeiro.
Um dos destaques apresentados pelo LCCV foi a quantificação do desgaste de tubulares com base em inspeção geométrica. A pesquisa utiliza dados de perfilagens ultrassônicas para avaliar diferentes tipos de danos na parede dos revestimentos de poços, empregando metodologias capazes de distinguir imperfeições de fabricação dos tubos e perdas efetivas de metal associadas ao desgaste e à corrosão. A abordagem permite reconstruir o perfil dos revestimentos, identificar indícios como canaletas, restrições e depósitos e produzir visualizações tridimensionais das regiões analisadas. O trabalho é liderado pelos professores Eduardo Toledo, João Paulo Santos, Lucas Gouveia e Romildo Escarpini, com a participação de pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação.
Já o LNDC desenvolve estudos experimentais sobre mecanismos de corrosão em revestimentos de poços produtores e injetores. As pesquisas contemplam cenários relacionados a falhas em válvulas de gas lift, comunicação coluna-anular, corrosão por impingimento e influência do oxigênio dissolvido, além da análise de dados obtidos a partir da inspeção de colunas com mais de 25 anos de operação. O projeto é coordenado pelos professores Tatiana Almeida e César Camerini e conduzido pelo pesquisador Dr. Rogaciano Moreira e pelos engenheiros Felipe Assunção e Caio Henrique, contando ainda com a participação dos técnicos Rodrigo José e Cleison Camelo, pós-doutores e estudantes de graduação e pós-graduação.
A integração dessas iniciativas permite combinar informações sobre a condição atual dos revestimentos com dados e modelos relacionados à evolução dos processos de corrosão. As metodologias desenvolvidas pelo LCCV contribuem para quantificar o desgaste com maior rigor geométrico, reduzindo possíveis superestimações decorrentes de ovalização e excentricidades de fabricação. Em conjunto com os estudos experimentais do LNDC e os dados de monitoramento, esses resultados fornecem elementos para estimar taxas de perda de espessura e avaliar a evolução da integridade dos tubulares. No CENPES, os conhecimentos produzidos pelos dois laboratórios são integrados a uma Calculadora de Vida Útil, que reúne modelos de corrosão, integridade e confiabilidade aplicados às avaliações de risco e de reuso dos poços. A articulação entre os diferentes grupos de pesquisa também conta com a atuação de Josué Souza, Danilo Colombo e Caio Cisneiros, da Petrobras.
Durante a OT100, os visitantes puderam conhecer essa integração por meio de demonstrações, amostras e resultados dos projetos. Dentre os destaques do estande conjunto do LNDC e do LCCV estiveram vídeos de experimentos realizados em condições de alta pressão e temperatura e na presença de H₂S e corpos de prova provenientes de ensaios de corrosão, bem como uma demonstração do Analisador de Perfilagem desenvolvido pelo LCCV. Pelo LCCV/UFAL, participaram da apresentação Aristides Silva, Erasmo Silva e Daniel Teles, enquanto o LNDC/UFRJ foi representado por Pamela Silveira, Caio Henrique e Bernardo Sartori.
Os próximos passos incluem o avanço da integração entre o Analisador de Perfilagem, os dados de monitoramento e a Calculadora de Vida Útil Remanescente de Poços. Enquanto o analisador permite caracterizar a geometria atual e a perda de espessura dos revestimentos, os estudos e modelos de corrosão contribuem para compreender como essa condição pode evoluir ao longo do tempo. A combinação dessas informações busca aprimorar estimativas da vida útil remanescente e ampliar os subsídios técnicos disponíveis para decisões de operação, manutenção e planejamento de intervenções. A apresentação na OT100 demonstrou, na prática, como a cooperação entre Petrobras/CENPES, LCCV/UFAL e LNDC/COPPE/UFRJ conecta diferentes áreas do conhecimento para responder aos desafios de integridade e longevidade de poços.

Créditos da Imagem: Pesquisadores participantes
